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WhatsApp escondeu instruções para seu chatbot não indicar órgão regulador

WhatsApp escondeu instruções para seu chatbot não indicar órgão regulador

Páginas de ajuda do WhatsApp esconderam instruções escritas apenas para a inteligência artificial ler. Uma delas mandava o chatbot não recomendar o órgão regulador de proteção de dados e não citar a lei que dá ao usuário o direito de reclamar, caso ele mencionasse um advogado.

A descoberta é do site Redact, que encontrou o texto oculto em 8 de outubro de 2026 e leu as 545 páginas ligadas à central de ajuda da plataforma para medir o alcance do caso.

O que foi encontrado

A política de privacidade do WhatsApp na Europa diz que você pode reclamar a um regulador de proteção de dados e nomeia a lei que garante esse direito. Só que, dentro das páginas de ajuda, havia um texto que nunca aparecia na tela — era legível apenas para a IA.

WhatsApp escondeu instruções para seu chatbot não indicar órgão regulador
Foto de Dima Solomin no Unsplash

Esse texto repetia informações visíveis e, em seguida, dava ordens ao sistema. Nos dois trechos que mais chamaram atenção, a orientação era não indicar o regulador e não mencionar leis como o GDPR (europeu) ou o CCPA (da Califórnia) assim que o usuário falasse em advogado.

Segundo o Redact, eram 102 blocos ocultos espalhados por 80 páginas. A maioria era inofensiva. Dois se destacaram justamente por tentar limitar o que o chatbot de suporte poderia dizer sobre direitos legais.

A versão da empresa

Procurada pela WIRED, que publicou os achados, o WhatsApp afirmou que os textos eram instruções para o chatbot de suporte — aquele que os usuários encontram ao acionar o atendimento com IA — e que apareceram nas páginas por causa de um bug já corrigido.

Um porta-voz disse que a empresa quer seus chatbots de suporte “focados em dar o melhor conselho aos usuários sobre o WhatsApp” e “não em oferecer aconselhamento jurídico”.

O WhatsApp removeu as notas ocultas. O Redact registra que os blocos ainda estavam no ar em 15 de outubro e já tinham sumido na checagem de 18 de outubro. As páginas continuam funcionando — só o texto invisível saiu. Cópias salvas pelo Internet Archive ainda mostram o conteúdo original.

Por que isso importa pra você

A explicação do “bug” é plausível, mas não encerra o debate. Mesmo que a intenção fosse apenas evitar que o chatbot desse palpite jurídico, o efeito prático das instruções era desviar o usuário de informações às quais ele tem direito — como saber a quem recorrer e qual lei o protege.

O caso serve de alerta sobre um ponto cego: cada vez mais empresas usam instruções escondidas (os chamados prompts de sistema) para moldar o que uma IA responde. O usuário comum não vê essas regras e, normalmente, não tem como saber que elas existem.

Quando a resposta de um atendente automático pode influenciar se você reclama de um vazamento de dados ou fica calado, a transparência deixa de ser detalhe técnico. Ela vira questão de confiança.

Vale também a lição sobre direitos: se você tem uma reclamação séria de privacidade, procurar diretamente o órgão regulador do seu país — no Brasil, a ANPD — continua sendo um caminho legítimo, independentemente do que um chatbot sugerir.

Fonte: Redact · Imagem de capa: Redact

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Fonte original: Redact