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Drones autônomos teriam matado soldados pela primeira vez, diz fonte ucraniana

Drones autônomos teriam matado soldados pela primeira vez, diz fonte ucraniana

Drones totalmente autônomos, sem qualquer supervisão humana, teriam matado soldados em combate pela primeira vez. A afirmação é de Alexander Kokhanovskyy, figura sênior da indústria de defesa ucraniana, em entrevista à New Scientist. Se confirmado, é um marco sombrio: uma máquina decidiu sozinha quem morreria.

O que aconteceu

Segundo Kokhanovskyy, o teste foi feito há cerca de dois anos, durante uma contraofensiva ucraniana perto de Bakhmut e Chasiv Yar. Dez quadricópteros equipados com um sistema apelidado de “modo Terminator” foram lançados em direção à linha de frente.

Os drones voavam de 3 a 5 quilômetros por cerca de 10 minutos e, ao chegar na área designada, ativavam um modelo de IA que buscava e atacava qualquer alvo identificado. Não havia conexão de vídeo nem qualquer canal de comando com os operadores. “A gente lança e sabe que tudo vai estar morto — tudo que for encontrado naquela área vai morrer”, disse o executivo.

Drones autônomos teriam matado soldados pela primeira vez, diz fonte ucraniana
Foto de Frederick Shaw no Unsplash

Como não havia gravação, drones pilotados por humanos foram enviados depois para checar os resultados. Entre as vítimas, segundo Kokhanovskyy, estavam “alguns soldados e um caminhão” russos. O Ministério da Defesa da Ucrânia não respondeu aos questionamentos da publicação, e o relato não pôde ser verificado de forma independente.

Por que o relato precisa ser lido com cautela

Vale separar o que é fato do que é alegação. Drones com algum grau de autonomia já são amplamente usados na guerra da Ucrânia — sobretudo para resistir a interferências eletrônicas que cortam o sinal entre piloto e aeronave. O que muda aqui é o nível: um sistema que identifica, escolhe e ataca alvos humanos sem nenhuma intervenção.

Kokhanovskyy diz que o teste foi pontual e nunca virou prática. Ainda assim, o relato chega num momento em que ONGs e a ONU debatem há anos a proibição de armas autônomas letais — as chamadas LAWS, na sigla em inglês. Países como Rússia, EUA e Israel têm resistido a tratados vinculantes.

Também é prudente lembrar que o entrevistado é fornecedor da tecnologia. Há interesse comercial em sinalizar capacidade técnica, e a ausência de gravações ou confirmação militar oficial mantém o caso na categoria de alegação relevante, não de fato documentado.

Por que isso importa

Mesmo com ressalvas, a discussão é concreta. Modelos de visão computacional ficaram baratos, leves e bons o suficiente para rodar em drones de poucos milhares de dólares. A barreira para construir uma arma autônoma deixou de ser tecnológica — virou política e ética.

O risco não é hipotético. Sistemas de IA cometem erros de classificação, confundem civis com combatentes e podem ser enganados por adversários. Em um drone com permissão para atirar, cada erro vira morte sem ninguém para responder por ela. A cadeia de responsabilidade — quem programou, quem lançou, quem aprovou — fica deliberadamente embaçada.

Para o leitor brasileiro, a notícia tem um recado direto: o debate sobre regulação de IA não é só sobre chatbots que erram contas ou geram desinformação. Envolve também armas que escolhem alvos sozinhas — e que, segundo este relato, já saíram do laboratório faz tempo.

Fonte: New Scientist · Imagem de capa: New Scientist

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Fonte original: New Scientist