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Demitir por causa da IA não está dando o retorno prometido, diz Gartner

Demitir por causa da IA não está dando o retorno prometido, diz Gartner

Um novo estudo da consultoria Gartner joga um balde de água fria na narrativa de que demitir funcionários e colocar IA no lugar é o caminho fácil para lucros maiores. Entre 350 executivos de empresas com receita anual acima de US$ 1 bilhão, 80% relataram reduções de quadro após adotar IA — mas não há correlação entre essas demissões e um ROI mais alto. Em outras palavras: cortou pessoal, mas o retorno financeiro não veio.

O que o estudo realmente mostra

A pesquisa, publicada pela Fortune, derruba um pressuposto bem comum no discurso corporativo: o de que a IA vai ficar tão competente quanto trabalhadores de colarinho branco e, por isso, justificaria cortes em massa. Segundo Helen Poitevin, VP analista da Gartner e uma das responsáveis pelo estudo, as taxas de redução de pessoal foram praticamente iguais entre empresas com bom retorno em IA e aquelas com resultados medianos ou até piores.

Ou seja, muita empresa está demitindo independentemente de a tecnologia estar gerando valor. O corte virou reflexo, não consequência.

Demitir por causa da IA não está dando o retorno prometido, diz Gartner
Foto de David Kristianto no Unsplash

“Olhar apenas para as demissões é míope quando o assunto é extrair valor da IA”, disse Poitevin. “Buscar valor só pela redução de cabeças provavelmente vai levar a maioria das organizações a um caminho de retornos limitados.”

Onde o dinheiro está aparecendo

O estudo identificou um padrão claro nas empresas que realmente reportaram ganhos significativos com IA: elas usam a tecnologia como uma forma de “amplificação humana” — ferramentas que tornam o funcionário mais produtivo, em vez de eliminá-lo. É menos sexy do que a manchete de “IA substitui equipe inteira”, mas, pelos números, é o que funciona.

Outra pesquisa da Gartner, com CEOs, reforça a divisão de pensamento no mercado: cerca de um terço dos executivos espera que a IA autônoma ajude humanos a decidir, sem tomar decisões por conta própria. Há um descompasso evidente entre o que o marketing das big techs vende e o que os próprios líderes empresariais consideram viável.

Vale lembrar também o argumento de Torsten Slok, economista-chefe da Apollo, que tem invocado o paradoxo de Jevons para falar do tema. A teoria do século 19 explicava por que a demanda por carvão aumentou mesmo com motores a vapor mais eficientes: quando algo fica mais barato e útil, o consumo cresce. Aplicado à IA, o raciocínio sugere que a tecnologia pode gerar empregos em vez de eliminá-los.

Por que isso importa pra você

Se você trabalha numa empresa que anunciou demissões “por causa da IA”, vale uma dose saudável de ceticismo. Em muitos casos, o corte teria acontecido de qualquer jeito — pressão de custos, reestruturação, recessão disfarçada — e a IA virou o álibi conveniente. Soa moderno, agrada acionistas no curto prazo e dispensa explicações mais incômodas.

Para gestores, o recado é mais direto: trocar gente por automação sem um plano claro de ganho de produtividade tende a entregar economia de folha no primeiro trimestre e problemas operacionais depois. As empresas que estão extraindo retorno real não estão esvaziando os escritórios — estão equipando quem ficou com ferramentas melhores.

O hype de que a IA vai substituir trabalhadores em massa continua dominando manchetes e relatórios de banco. Mas, pelo menos por enquanto, os dados de quem está no campo de batalha mostram outra coisa: demissão não é estratégia de IA. É só demissão.

Fonte: Fortune · Imagem de capa: Fortune

Fonte original: Fortune