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Regulação

Trump cria ‘Força de Super Inteligência’ para comandar política de IA nos EUA

Trump cria ‘Força de Super Inteligência’ para comandar política de IA nos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a criação de uma força-tarefa de inteligência artificial com um nome ambicioso: Super Intelligence Force. O grupo será chefiado por Jay Clayton, diretor de inteligência nacional, e vai coordenar como o governo federal lida com empresas, consumidores e até organizações religiosas no tema. O detalhe que mais chama atenção, porém, é o que o plano não prevê: nenhuma lei para regular o desenvolvimento da tecnologia.

O que foi anunciado

Além de Clayton, ex-presidente da SEC (a comissão de valores mobiliários dos EUA), a força-tarefa terá Andrew Ferguson, chefe da FTC (órgão de defesa do consumidor), e Emil Michael, subsecretário de defesa para pesquisa e engenharia. O grupo responde diretamente a Trump e à chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles.

Em publicação nas redes sociais, Trump disse que a força vai coordenar o contato do governo com “consumidores, grupos de interesse público, organizações religiosas, provedores de infraestrutura crítica e empresas de super inteligência”. Vale notar que o próprio presidente vem, unilateralmente, tentando rebatizar a IA como “super inteligência” — um termo que soa mais grandioso do que preciso.

Trump cria 'Força de Super Inteligência' para comandar política de IA nos EUA
Foto de David Everett Strickler no Unsplash

Coordenar, mas não regular

Aqui está o ponto central. Trump rejeita abertamente a ideia de aprovar leis para controlar o avanço da IA, mesmo com o debate crescente sobre riscos da tecnologia. Na semana passada, ele e executivos das principais empresas do setor assinaram um documento “moralmente vinculante”, no qual as próprias companhias ficam responsáveis por garantir a segurança do que desenvolvem.

Ou seja: a autorregulação continua sendo a aposta. A crítica é imediata. A senadora democrata Elizabeth Warren afirmou que o Congresso “não pode enfrentar a ameaça urgente da IA apenas formando mais um comitê ou continuando discussões intermináveis”. Para ela, o caminho é aprovar regras concretas para proteger as pessoas.

Curiosamente, a pressão por mais regulação não vem só da oposição. Executivos de empresas como OpenAI e Anthropic também têm pedido regras mais firmes — o que torna a resistência do governo ainda mais notável, segundo a bbc.com.

Por que isso importa

O pano de fundo é a disputa com a China. Trump deixou claro que o objetivo é manter os EUA na frente: “Quem vencer a IA, vence”, disse. Dias após a visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping a Washington, ele descartou qualquer parceria entre os dois países para desenvolver a tecnologia, alegando risco de vazamento de segredos.

Na prática, o modelo que se desenha é o de acelerar a corrida com pouco freio regulatório. Isso pode favorecer a velocidade de desenvolvimento, mas transfere a responsabilidade sobre segurança quase inteiramente para quem lucra com a tecnologia — as próprias empresas.

Para quem usa IA no dia a dia, aqui e lá fora, a mensagem é dupla. De um lado, há uma estrutura de governo organizada em torno do tema. De outro, ela nasce sem dentes legais: coordena conversas, mas não impõe limites. A promessa de um compromisso “moralmente vinculante” soa simpática, mas vale lembrar que moral não é lei, e empresa alguma costuma se fiscalizar com o mesmo rigor que fiscalizaria um concorrente. Resta ver se a Super Intelligence Force será uma estrutura de política pública real ou só mais um rótulo de marketing.

Fonte: bbc.com · Imagem de capa: bbc.com

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Fonte original: bbc.com