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Regulação

Anthropic vai pagar US$ 1,5 bilhão a autores por livros pirateados usados no Claude

Anthropic vai pagar US$ 1,5 bilhão a autores por livros pirateados usados no Claude

Uma juíza federal dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira um acordo de US$ 1,5 bilhão envolvendo a Anthropic, empresa por trás do chatbot Claude. A companhia vai pagar cerca de US$ 3 mil por obra a milhares de autores cujos livros foram baixados de sites piratas e usados no treinamento da sua IA. É o maior valor já recuperado em um caso de direitos autorais que se tem notícia.

A decisão, segundo a juíza Araceli Martínez-Olguín, oferece uma “reparação significativa” aos autores e editoras afetados. O caso foi aberto em 2024 pela romancista Andrea Bartz, autora de thrillers, ao lado de outros dois escritores.

Como chegamos até aqui

O processo tinha ganhado um contorno curioso ainda no ano passado. O juiz William Alsup, que analisou a ação em São Francisco (e já se aposentou desde então), entregou uma decisão dividida.

Anthropic vai pagar US$ 1,5 bilhão a autores por livros pirateados usados no Claude
Foto de Clarisse Meyer no Unsplash

De um lado, ele entendeu que treinar chatbots de IA com livros protegidos por direitos autorais não é ilegal — enquadrando a prática como “uso justo” (o chamado fair use). De outro, considerou que a Anthropic agiu de forma errada ao obter milhões de livros por meio de sites de pirataria.

Ou seja: o problema, na visão da Justiça, não foi usar os livros para treinar a IA. Foi a forma como a empresa conseguiu esses arquivos.

O que muda com o acordo

São mais de 482 mil livros cobertos pela decisão. Até agora, cerca de 91% deles já foram reivindicados por autores ou editoras, que passam a ter direito ao pagamento.

O advogado dos autores, Justin Nelson, classificou o acordo como “a maior recuperação de direitos autorais da história” e disse que as distribuições começarão o mais rápido possível. Segundo a AP News, este é o primeiro grande acordo entre dezenas de processos semelhantes que ainda tramitam nos tribunais americanos.

Vale prestar atenção na leitura que cada lado faz do resultado. A vice-conselheira-geral da Anthropic, Aparna Sridhar, destacou justamente a parte da decisão que favorece a empresa: a de que treinar IA com livros seria “uso justo”. É uma forma de tratar o pagamento bilionário como custo de um erro pontual — a pirataria — e não como uma condenação ao modelo de treinamento em si.

Por que isso importa para você

Este caso ajuda a desenhar as regras do jogo para toda a indústria de IA. A maioria dos grandes modelos foi treinada com enormes volumes de texto, imagens e código coletados na internet, muitas vezes sem autorização explícita dos autores.

A mensagem que fica é ambígua e ainda incompleta. Por enquanto, tribunais americanos parecem inclinados a aceitar o argumento do uso justo para o treinamento. Mas a origem dos dados importa: baixar conteúdo de fontes piratas continua sendo um risco jurídico caro.

Para autores, artistas e criadores de conteúdo, o acordo mostra que é possível cobrar as empresas — ainda que o valor por obra, cerca de US$ 3 mil, possa soar modesto diante do porte financeiro dessas companhias. Para o público, é um lembrete de que boa parte das ferramentas que usamos no dia a dia foi construída sobre trabalho de outras pessoas, e que a discussão sobre quem deve ser pago por isso está apenas começando.

Com dezenas de processos ainda em andamento, incluindo ações contra outras grandes de IA, o resultado da Anthropic serve mais como referência inicial do que como palavra final. O tema deve seguir nos tribunais por um bom tempo.

Fonte: AP News · Imagem de capa: AP News

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Fonte original: AP News