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Infraestrutura

Conta da IA: moradores de Maryland vão pagar US$ 2 bi por data centers que nem ficam no estado

Conta da IA: moradores de Maryland vão pagar US$ 2 bi por data centers que nem ficam no estado

O estado de Maryland entrou com uma reclamação formal na agência federal de energia dos EUA contra a cobrança de US$ 2 bilhões que seus moradores terão que pagar para modernizar a rede elétrica — boa parte para atender data centers de IA instalados em outros estados. A conta vai chegar como acréscimo nas tarifas pelos próximos dez anos.

O caso expõe uma pergunta cada vez mais incômoda no boom da inteligência artificial: quem realmente paga pela infraestrutura elétrica que sustenta esses gigantes computacionais?

O que está acontecendo

A Maryland Office of People’s Counsel (OPC), agência que representa consumidores de energia do estado, protocolou queixa na Federal Energy Regulatory Commission (FERC) contra a PJM Interconnection. A PJM é a maior operadora de transmissão elétrica dos EUA, cobrindo 13 estados e cerca de 65 milhões de pessoas.

Conta da IA: moradores de Maryland vão pagar US$ 2 bi por data centers que nem ficam no estado
Foto de Wesley Tingey no Unsplash

A empresa gastou US$ 22 bilhões em upgrades na rede para dar conta da demanda crescente — puxada principalmente por data centers de IA. Desse total, quer repassar US$ 2 bilhões para os consumidores de Maryland, segundo reportagem do Tom’s Hardware.

Traduzido em conta de luz, isso significa um custo extra estimado de US$ 1,6 bilhão na próxima década: cerca de US$ 345 por cliente residencial, US$ 673 por cliente comercial e impressionantes US$ 15.074 por cliente industrial.

Por que Maryland está reclamando

O argumento da OPC é direto: a maior parte dos novos data centers que justificam esses investimentos não fica em Maryland, mas sim em estados como Virgínia, Ohio, Pensilvânia e Illinois. Mesmo assim, a metodologia atual de rateio da PJM distribui o custo entre todos os consumidores da região.

“Sem ação da FERC, os clientes de Maryland enfrentam pagar bilhões por infraestrutura de transmissão que a PJM está avançando para beneficiar data centers”, disse David S. Lapp, da OPC. “As regras de alocação de custos da PJM estão quebradas. Os clientes de Maryland não causaram a necessidade desses projetos nem vão se beneficiar significativamente deles.”

O estado defende que as obras sejam cobradas diretamente das regiões onde estão sendo construídas — ou, no limite, das próprias empresas de tecnologia. O governo Trump chegou a anunciar um “ratepayer protection pledge”, compromisso pelo qual hyperscalers como Google, Microsoft, Amazon e Meta supostamente bancariam esses custos. Na prática, parte da conta segue chegando para o consumidor comum.

Por que isso importa pra você

Pode parecer um problema americano distante, mas o padrão é global. Data centers de IA consomem energia em escala industrial, e a infraestrutura elétrica de praticamente todos os países precisará ser expandida nos próximos anos para acompanhar. A pergunta é sempre a mesma: quem paga?

No Brasil, o tema já aparece em discussões sobre novos data centers em estados como Ceará, Rio Grande do Sul e São Paulo, com incentivos fiscais e demanda elétrica relevante. O caso de Maryland é um lembrete de que promessas regulatórias para proteger consumidores nem sempre se traduzem em prática — e que o custo da IA tende a ser socializado mesmo quando o lucro fica concentrado em poucas empresas.

O desfecho na FERC pode virar referência para outros estados americanos que hospedam ou fazem fronteira com polos de data centers. E serve de alerta para reguladores em qualquer lugar: na corrida por atrair investimento em IA, o detalhe de quem assina a conta de luz no fim do mês não é detalhe nenhum.

Fonte: Tom's Hardware · Imagem de capa: Tom's Hardware

Fonte original: Tom's Hardware