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Segurança

Chip M5 da Apple cai no primeiro exploit de escalada de privilégio — e o Claude ajudou a encontrar

Chip M5 da Apple cai no primeiro exploit de escalada de privilégio — e o Claude ajudou a encontrar

Um grupo de pesquisadores chamado Calif divulgou o que parece ser o primeiro exploit de escalada de privilégio local contra o chip M5 da Apple, anunciado pela empresa como um salto em segurança de hardware. O detalhe: a falha foi descoberta com a ajuda do Mythos Preview, ferramenta de pesquisa de segurança da Anthropic baseada no Claude. Na prática, basta rodar um comando como usuário comum para obter privilégios de root no macOS.

O que aconteceu

O exploit foi publicado como parte de uma série chamada Month of AI-Discovered Bugs, que reúne vulnerabilidades encontradas com apoio de modelos de IA. Os testes foram feitos em uma máquina com chip M5 rodando macOS 26.4.1, segundo reportagem do Tom’s Hardware.

A Apple foi avisada com antecedência — e pessoalmente, segundo os pesquisadores. Isso evitou um cenário de zero-day público, mas não muda o fato de que uma das principais apostas de segurança da nova geração de chips da empresa foi contornada logo de cara.

Chip M5 da Apple cai no primeiro exploit de escalada de privilégio — e o Claude ajudou a encontrar
Foto de Sumudu Mohottige no Unsplash

Por que o MIE deveria impedir isso

O Memory Integrity Enforcement (MIE) é a proteção de memória presente nos chips M5 e A19. Ele marca cada fatia de 16 bytes de memória com uma etiqueta de 4 bits ligada ao ponteiro autorizado a acessá-la. Tudo isso aplicado em hardware, num esquema parecido com o de um hypervisor.

O objetivo é cortar pela raiz classes inteiras de vulnerabilidades clássicas, como buffer overflows e use-after-free. Se alguma leitura ou escrita não bate com a etiqueta esperada, o sistema barra. A Apple vendeu o recurso como um divisor de águas — e é justamente essa barreira que o exploit do grupo Calif conseguiu atravessar, inclusive no nível do kernel.

Detalhes técnicos foram poupados na divulgação, o que é praxe enquanto a correção não circula. Mas o recado já está dado: marketing de segurança de hardware e realidade nem sempre andam juntos.

Por que isso importa pra você

Macs raramente são usados como servidores, então o impacto direto em larga escala é limitado. Ainda assim, o exploit é preocupante por dois motivos. Primeiro, é fácil enganar um usuário comum para executar um comando — engenharia social não exige proeza técnica. Segundo, com acesso root, o invasor tem controle total da máquina e fica difícil de detectar e remover.

O ponto mais amplo, no entanto, é o ritmo. Nas últimas semanas, Linux apanhou com as falhas CopyFail e Dirty Frag; a Microsoft levou pancada com YellowKey, GreenPlasma e RedSun. Agora é a Apple. Em todos os casos, pesquisa de segurança assistida por IA acelerou a descoberta.

Isso é faca de dois gumes. Pesquisadores éticos ganham uma ferramenta poderosa para encontrar e reportar falhas antes dos criminosos. Mas a mesma capacidade está disponível para quem quer explorar, e não há razão para acreditar que apenas os “chapéus brancos” estão usando esse tipo de tecnologia. A própria Calif reconhece que não dá para garantir que sejam os únicos a ter visto essa falha.

Para o usuário final, a lição é a de sempre, só que mais urgente: manter o sistema atualizado, desconfiar de comandos copiados da internet e parar de tratar promessas de “segurança em hardware” como garantia absoluta. A Apple terá que responder com um patch — e, mais cedo ou mais tarde, explicar como uma proteção tão alardeada caiu logo na primeira rodada séria de escrutínio público.

Fonte: Tom's Hardware · Imagem de capa: Tom's Hardware

Fonte original: Tom's Hardware