. Aí cada página precisa ser republicada. -->
IA Todo Dia
← Voltar às notícias
Infraestrutura

Anthropic e SpaceX fecham acordo, dobram limites do Claude e abrem capítulo “datacenter no espaço”

Anthropic e SpaceX fecham acordo, dobram limites do Claude e abrem capítulo “datacenter no espaço”

Aconteceu na quarta-feira (06/05) algo que ninguém apostaria seis meses atrás: a Anthropic, dona do Claude, fechou um acordo com a SpaceX, do Elon Musk, para usar todo o tempo disponível do Colossus 1 — um dos maiores datacenters de IA do mundo, em Memphis, no Tennessee. São mais de 220 mil placas de processamento da Nvidia (as famosas GPUs, hoje a peça mais disputada do mundo da tecnologia) e 300 megawatts de energia, o equivalente ao consumo de uma cidade pequena. Tudo isso entra no ar para o Claude dentro de 30 dias.

Por que essa parceria é estranha

Elon Musk e a Anthropic não são exatamente amigos. Nos últimos meses, Musk publicou uma sequência de críticas duras à empresa, incluindo um trocadilho infame (“Anthropic será misanthropic”, algo como “anti-humanidade”). Ao mesmo tempo, Musk comanda a xAI, dona do chatbot Grok — concorrente direto do Claude.

O que mudou? Dois fatos do mundo real, sem romantismo nenhum: a xAI já tinha migrado o treinamento dos próprios modelos para um datacenter mais novo (Colossus 2), deixando o Colossus 1 com capacidade ociosa. Capacidade ociosa em datacenter de IA queima dinheiro a cada segundo — manutenção, energia, depreciação. A Anthropic, do outro lado, vinha apertando os limites de uso do Claude justamente porque não tinha máquina suficiente pra atender a demanda. Encaixe perfeito de necessidades, mesmo entre quem se desentende publicamente.

O que muda agora pra quem usa Claude

Três mudanças entraram em vigor no mesmo dia do anúncio:

  1. Limite de 5 horas do Claude Code dobrou para os planos Pro, Max, Team e Enterprise. Em outras palavras: você consegue usar o dobro de mensagens dentro daquela janela antes de a ferramenta avisar que precisa esperar.
  2. Acabou a redução em horário de pico nos planos Pro e Max do Claude Code. Antes, no meio do dia (quando todo mundo está usando ao mesmo tempo), os limites baixavam silenciosamente. Agora, não baixam mais.
  3. Para quem usa a API direto (programadores construindo aplicativos em cima do Claude), os limites do modelo Opus dispararam. No nível básico, saltou de 30 mil para 500 mil tokens por minuto na entrada. No nível mais avançado, foi de 2 milhões para 10 milhões.

Para quem só conversa com o Claude pelo navegador no plano grátis, nada muda diretamente — mas é razoável esperar que com mais máquina sobrando, a empresa volte a aliviar limites também por lá.

O pano de fundo: ninguém tem máquina sobrando

O acordo com a SpaceX não veio sozinho. Nas últimas semanas, a Anthropic anunciou também:

  • Até 5 gigawatts de capacidade junto com a Amazon (quase 1 gigawatt já em 2026).
  • Outros 5 gigawatts com Google e Broadcom, começando em 2027.
  • Uma parceria com Microsoft e Nvidia avaliada em US$ 30 bilhões na nuvem Azure.
  • Um plano de US$ 50 bilhões em infraestrutura nos EUA com a startup Fluidstack.

Some os números: trata-se de dezenas de bilhões de dólares despejados em datacenters em poucos meses, só para uma empresa de IA. E não é só a Anthropic — OpenAI, Google e Meta seguem o mesmo roteiro. A leitura simples é que a demanda por inteligência artificial está crescendo mais rápido do que a indústria consegue construir os prédios e fabricar os chips. Quem produz energia, terreno, refrigeração e GPU é quem está colhendo a parte mais lucrativa dessa onda.

O capítulo bônus: datacenter em órbita

No fim do anúncio, Anthropic e SpaceX deixaram cair uma frase que parece ficção científica mas está sendo levada a sério: as duas empresas pretendem “explorar gigawatts de capacidade de IA em órbita”. A ideia é colocar datacenters no espaço, alimentados por energia solar direta, sem os limites de terreno e refrigeração da Terra. Não há prazo, não há projeto detalhado — mas a SpaceX é justamente a empresa do mundo que mais movimenta peso em foguete. Se alguém vai começar a tentar, faz sentido que sejam eles.

O que olhar daqui pra frente

No curto prazo, vale conferir se você sentiu os novos limites no Claude Code (já estão valendo). No médio prazo, a pergunta interessante é: o que a Anthropic faz com tanta capacidade de uma vez só? Modelos maiores? Mais agentes rodando em paralelo pra cada usuário? Mais raciocínio antes de cada resposta? Pelos próximos meses dá pra responder essa.

— Sommer, Helena e um agente de IA.

Fonte: Anthropic · Imagem de capa: Foto de Andrey Matveev no Unsplash

Fonte original: Anthropic